• Maria Luiza Cardinale Baptista

A Janela...


Da janela dos meus olhos, eu vejo o passado.

Flores vermelhas, na árvore alta, me lembram

de um tempo de esperas, de sonhos de gente grande.

Tempo em que eu já via a beleza de floresceres,

já me sentia meio filha das árvores,

querendo aprender a brotar, a ser floresta,

ter a base firme, não desmoronar, com o advento de tempestades.


Aprendi que a natureza mãe-terra em mim

seria minha proteção,

que os galhos-abraços me a ajudariam

a suportar os ventos fortes e impiedosos.

Assim foi, assim tem sido.


Da janela dos meus olhos, eu vejo o presente.

Consigo ter a sensação de estar protegida,

alinhada com árvores e brotações de flores vermelhas,

espreitando o céu claro e o horizonte.

Consigo ver o que há por trás das flores e folhas.

Já sei que há máquinas e construções,

galhos secos e corações endurecidos, tantos.

Há sofrimentos, desencantos, desalentos, desesperança.


Por ter olhos na janela, assim tão atentos,

hoje tenho a dimensão de minha responsabilidade.

Sou agora uma mistura de menina-moça-mulher-velha,

árvore matriz de outros tantos floresceres, flores e seres.

Então, nesse tempo de recolhimento, esforço-me,

refaço-me em verso e prosa, revejo-me aqui de dentro,

reencontro-me, acho graça de mim mesma!

‘Des-culpo-me’, pelo que não fiz, não pude!


Da janela dos meus olhos, eu vislumbro o futuro

e agradeço ter olhos, por ter essa janela,

ter sido guardada aqui dentro de mim

e de casa, para esperar... para viver outro tempo

e seguir semeando Malu-quis-ces!


Maria Luiza Cardinale Baptista

(Foto: João Romanini)

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